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Sete Cavaleiros

A trilogia dos “Sete Cavaleiros” juntou dois grandes talentos: um grande romancista, Jean Raspail, e um grande autor de Banda Desenhada, Jacques Terpant. O resultado não podia ser melhor e os álbuns, de extraordinária qualidade e beleza, transportam-nos para um mundo trágico que é uma alegoria ao nosso.


Jean Raspail é um grande romancista francês e autor de uma extensa obra. Foi também explorador e viajou durante trinta anos conhecendo pequenas civilizações em vias de desaparecer. A sua obra mais famosa e mais polémica foi “Le Camp des Saints”, que seria traduzido e publicado em Portugal pelas Publicações Europa-América, em 1977, com o título “Mortos: 200 Milhões - Todos Nós”. Publicado em 1973, em França, o livro foi uma verdadeira bomba incendiária. De uma qualidade literária indiscutível, versava sobre um tema polémico e provocou um intenso debate. Esta parábola sobre o futuro da Europa, na qual um milhão de pobres vindos do terceiro mundo desembarcavam nas costas francesas, alterando com a sua invasão pacífica toda uma civilização, foi considerada “racista” pelos sectores do costume e viria a revelar-se verdadeiramente profética. Depois de vários anos sem ser publicado, o livro foi recentemente reeditado, alcançando um êxito de vendas considerável. Numa entrevista recente, Raspail afirmou que sabe muito bem o que é uma civilização que vai desaparecer e que esta “se deve defender antes de desaparecer”. A história agora vertida à Nona Arte é retirada do seu romance “Sete cavaleiros deixaram a cidade ao crepúsculo pela porta do Oeste que já não estava guardada”, publicado em 1993.

Jacques Terpant, é um ilustrador, pintor e autor de Banda Desenhada, conhecido pelas séries “Messara”, passada na Antiguidade, e “Piratas”, publicada pela Casterman. Os “Sete Cavaleiros” valeram-lhe o Prémio Saint-Michel para o Melhor Desenho, em Bruxelas, no ano passado.

 O primeiro volume da trilogia dos “Sete Cavaleiros” foi publicado em 2008 pelas edições Robert Laffont, mas como considerou o próprio Jacques Terpant estes “reveleram-se como totalmente incompetentes na sua difusão”. Tal motivou a mudança para a Delcourt que, no ano seguinte, reeditou o primeiro tomo, com oito páginas suplementares ilustradas com notas complementares sobre “O Mundo dos Sete Cavaleiros”, publicou o segundo, intitulado “O preço do Sangue”. Em 2010 a saga era concluída com a saída do último tomo, “A ponte de Sépharée”.

Como o título da obra original indica, a história é a de sete cavaleiros que deixam a cidade do Margrave hereditário que outrora foi próspera e pacífica, mas que agora está ameaçada. Este punhado de homens, bastantes diferentes e simbólicos, mas unidos entre si na disciplina, na fé e na preservação do seu reino, tem como missão encontrar a soberana herdeira, a Margravina Myriam. Na sua senda, vão encontrar resistentes isolados e fiéis aos costumes antigos, bem como várias ameaças tanto internas como externas, já que “do outro lado das montanhas” está quem avança para destruir e conquistar a sua civilização. Uma sociedade europeia moribunda que depende destes homens, movidos apenas pela esperança e pelo sentido do dever. Como afirmou Terpant, “a cidade do Margrave hereditário é ao mesmo tempo tangível e imaginária, um reino que pode ser no fim do século XIX, nos confins da Europa e da Ásia, uma Sildávia de Jean Raspail”.

Tudo se passa num cenário maravilhosamente construído pelo talento e cuidado de Jacques Terpant, que dá uma atenção extraordinária ao pormenor, conferindo aos álbuns uma riqueza gráfica impressionante. Nota para um pormenor curioso, a ilustração do Margrave hereditário é feita a partir do próprio Jean Raspail. Uma bela homenagem a um autor de referência. A união destes dois raros talentos produziu uma obra-prima.

Felizmente, não se ficou por aqui. No ano passado saiu “Oktavius”, o primeiro dos quatro volumes da série “Os Reinos de Bóreas”, baseado no romance homónimo de Raspail, publicado em 2003 e traduzido e editado entre nós pelas Publicações Europa-América, em 2005. Aguardemos a continuação deste óptimo encontro.

Mais Tintin na História


No ano passado, a revista francesa “Historia” e o jornal “Le Point” publicaram um número especial, em formato de álbum, onde são retratados momentos-chave do século XX que inspiraram a obra de Hergé e a criação de várias das personagens que habitam no universo de um dos mais famosos e apreciados heróis da banda desenhada. Talvez motivado pelo grande sucesso deste lançamento, os editores decidiram repetir a dose e publicar “Les personnages de Tintin dans l'histoire vol. 2” (encadernado, 130 páginas, 10,90 euros). Este segundo volume está disponível nas bancas portuguesas, reúne como autores vários historiadores, académicos e jornalistas e está dividido em capítulos que associam cada aventura de Tintin com uma personagem e um artigo sobre o período histórico no qual se insere.

Das dez personagens escolhidas, vejamos alguns exemplos. O primeiro álbum tratado é “Tintin na América”, e a personagem de Al Capone, inspirada na proibição do álcool nos EUA. Já em “A Estrela Misteriosa”, e escolhido é Philippulus e o tema são as viagens ao Pólo Norte. Depois, em “As Sete Bolas de Cristal”, descobrimos Bergamotte e viajamos ao Império Inca. Em “Objectivo Lua”, ficamos a conhecer Wolff e a saber mais sobre o projecto de conquista espacial alemã que nasceu nos anos 30. Mas o principal destaque vai naturalmente para o português Senhor Oliveira da Figueira, associado à aventura “Carvão no Porão”.

 Este livro inclui ainda um artigo sobre a arte em Hergé e outro sobre o ‘affaire’ Legros. Por fim, os interessados em aprofundar os temas tratados podem recorrer às duas breves bibliografias, uma com obras sobre os momentos históricos referidos e outra sobre o mundo de Tintin. Bastante interessante para os entusiastas de um dos nomes maiores da banda desenhada franco-belga, este é mais um álbum obrigatório na colecção de qualquer tintinófilo.

Thorgal


O jornal "Público" inicia hoje a distribuição de uma colecção inédita em português de 16 álbuns de capa dura de "Thorgal", uma excelente banda desenhada escrita por Jean Van Hamme e ilustrada por Grzegorz Rosiński.

Tintin na História

A revista francesa “Historia” e o jornal “Le Point” publicaram um número especial, em formato de álbum, onde são retratados momentos-chave do século XX, nomeadamente de 1930 a 1944, que inspiraram a obra de Hergé e a criação de várias das personagens que habitam no universo de um dos mais famosos e apreciados heróis da banda desenhada. “Les personnages de Tintin dans l'histoire” (encadernado, 130 páginas, 10,90 euros), disponível nas bancas portuguesas, reúne como autores vários historiadores, académicos e jornalistas e está dividido em capítulos que associam cada aventura de Tintin com uma personagem e um artigo sobre o período histórico no qual se insere.

O primeiro é obviamente sobre “Tintin no pais dos sovietes”, inspirado directamente no manifesto anti-soviético “Moscou sans voiles”, de Joseph Doulleit, e em destaque está o “duo para a vida” Tintin e o seu inseparável companheiro canino Milou. A enquadrar a primeira história do nosso “pequeno repórter”, podemos ler sobre a forma como a URSS se impõe como ditadura, controlada por um partido que vigia tudo e todos, e provoca uma catástrofe económica. A seguir um livro que hoje alguns tentam envolver em polémica, “Tintin no Congo”, complementado com um texto sobre a África colonial do homem branco, tendo como personagens Dupond e Dupont, inspirados no pai e no tio de Hergé. O milionário Rastapopoulos, inspirado em Onassis, leva-nos a “Os Charutos do Faraó” e aos rumores e maldições associadas às descobertas dos egiptólogos, nomeadamente o túmulo de Tutankamon. Depois, é a vez do amigo chinês Tchang, que aparece no álbum “O lótus azul” e do conflito sino-japonês. Outra guerra, desta vez entre a Bolívia e o Paraguai, vai inspirar “A orelha quebrada” e o general Alcazar. Já em “A ilha negra”, com o dr. Müller como personagem, viajamos até ao mundo dos falsários que lucravam no início dos anos 30. A excêntrica Castafiore é descrita a propósito de “O ceptro de Ottokar”, tendo como pano de fundo geográfico os Balcãs e histórico o Anschluss. Inspirado no filme “Le Capitainne Craddock”, surge em “O caranguejo das tenazes de ouro” o capitão Haddock e o problema do consumo e tráfico de ópio. Em “O segredo do Licorne” aparece pela primeira vez o mordomo Nestor e viajamos até ao mundo dos piratas. Por último, é a vez do Professor Girassol, inspirado em Auguste Piccard, que se estreia em “O tesouro de Rackham, o terrível”, com um artigo sobre o castelo de Cheverny.

Este livro inclui ainda um capítulo dedicado às aventuras de Tintin no cinema, não podendo deixar de falar no filme de Steven Spielberg que está a gerar grande expectativa. Por fim, os interessados em aprofundar os temas tratados podem recorrer às duas breves bibliografias, uma com obras sobre os momentos históricos referidos e outra sobre o mundo de Tintin.

Bastante interessante para os entusiastas de um dos nomes maiores da banda desenhada franco-belga, este é um álbum obrigatório na colecção de qualquer tintinófilo.

Tintin no país dos piratas


Para os apreciadores do mais famoso repórter do mundo, "Tintin au pays des pirates" é um sítio na internet onde é possível encontrar muitos dos álbuns piratas, pastiches e paródias desta personagem incontornável da banda desenhada franco-belga.

Alix com o «Público»

O jornal «Público» iniciou hoje a distribuição de mais uma colecção de banda desenhada, em parceria com a ASA. Desta vez trata-se de Alix, de Jacques Martin, último dos representantes da escola de Bruxelas, falecido em Janeiro deste ano. O primeiro volume é "Alix o Intrépido", ao qual se seguirão mais quinze, sempre às quartas-feiras.

Pratt inédito


No «Figaro Magazine» vi alguns extractos do álbum póstumo de Hugo Pratt, publicado recentemente em França. Trata-se de uma obra do início dos anos 70 que só foi encontrada em 2007 por um antigo redactor do «Corriere dei Piccoli», onde Pratt trabalhou. Se uma descoberta tardia destas é desde logo fantástica, a história não podia ser melhor, pelo menos para quem, como eu, cresceu no ambiente das aventuras de Emilio Salgari — considerado no artigo do «Figaro Magazine» como o Jules Verne italiano. Sandokan, o Tigre da Malásia, herói da minha infância — dos livros, da série televisiva, dos cromos — passado à nona arte pelo mestre Pratt, ainda por cima com grandes semelhanças com Corto Maltese, é uma surpresa daquelas. Directo para a lista de compras!

Sin City

A primeira coisa a que associo o nome de Frank Miller é a ao seu excelente trabalho no Demolidor e na “Saga de Elektra”, que li ainda miúdo, naquelas revistas brasileiras que assassinavam os comics com as estúpidas reduções de tamanho e as traduções para esquecer. Desde então, acompanhei os trabalhos deste autor que se um tornou um desenhador mítico no universo da BD. Há pouco mais de dez anos, quando seguia os comics americanos regularmente, li em primeiríssima mão uma obra-prima chamada “Sin City”. Que pedrada no charco! Li e reli. A partir daí acompanhei o que foi publicado sobre esse mundo da “Cidade do Pecado”, que o mestre Miller havia criado.

É claro que na altura era impensável tal história passar ao cinema, mas o tempo traz surpresas… Pela mão de Robert Rodriguez e Frank Miller himself, “Sin City” chegou às grandes telas.

Devo dizer que gostei de o ver e o considerei bom. No entanto, acho importante partilhar esta reflexão, em especial com os apreciadores de BD. Quando vou ver um filme baseado num comic, saio normalmente a enumerar todas as diferenças entre o publicado e o filmado. É um exercício comum, já que muitas bandas desenhadas são vistas como guiões de filmes e esperamos encontrar na tela o mesmo que no papel. Ora, é isso que acontece com “Sin City”. O filme cruza três histórias, originalmente publicadas em separado, reproduzindo-as tal e qual, com a ajuda de uma realização que respeita, se não imita, o ritmo dos comics e de excelentes caracterizações e cenários digitais. O elemento novidade, ou surpresa, perde-se, assim, para os conhecedores da “Cidade do Pecado”. Depois de ter visto e gostado da transposição exacta de “Sin City”, fico à espera de uma adaptação livre.