FANTÁSTICA LUSITÂNIA

“Fantasia Lusitana” abriu o último IndieLisboa e causou alguma sensação. Este documentário, que utiliza material dos anos 40 na sua maioria da autoria de António Lopes Ribeiro, mostra como era retratada vida no nosso país durante a Segunda Guerra Mundial, com a paz da neutralidade e o trânsito dos refugiados em fuga. Em “off” podemos ouvir discursos de Salazar e a leitura dos testemunhos, escritos na altura, de Alfred Döblin, Erika Mann (filha de Thomas Mann) e Saint-Exupéry.

O objectivo do filme é atacar o Estado Novo através da sua própria propaganda, mostrando o “ridículo” e a “fantasia” – como o título indica – de um Portugal neutral salvo da guerra pelo seu “messias”. A questão da nossa neutralidade está longe de se confinar a esse período histórico. Ocorre-me prontamente outro que também parece de fantasia, os jogos diplomáticos de D. João VI, com franceses e ingleses, que culminou na transferência de uma capital europeia para o Brasil. A nossa História tem realmente coisas fantásticas.

Por falar em fantasia, não posso deixar de referir que vi o filme na única sala que o projecta em Lisboa e que tem a particularidade de ter as paredes decoradas com personagens da Disney e as cadeiras estampadas com a cara do Rato Mickey. Para tornar a experiência ainda mais “fantástica”, dois lugares à minha direita, um sujeito mascava pipocas de boca aberta…

Voltando ao filme, apesar das intenções, devo dizer que parece um daqueles álbuns sobre a Mocidade Portuguesa, bastante ilustrados e que foram sucessos de venda: um verdadeiro deleite gráfico. Uma oportunidade para ver imagens deste período, onde se destacam as da Exposição do Mundo Português. Sobre a “fantasia” podemos considerar que é a da época. Há que dizer que, nos mesmos termos, era possível fazer uma “fantasia americana”, “cubana”, ou mesmo uma “fantasia socrática”, com o actual primeiro-ministro de computador Magalhães em punho.

Foi por isso que gostei e a classificação tem a seguinte explicação: uma estrela pelo trabalho técnico e de montagem; outra pela ausência de um narrador politicamente correcto a “explicar” os perigos do “fascismo”; e, por fim, uma pela pesquisa que trouxe a público estas imagens de arquivo.

Sobre o património sonoro, por exemplo, o realizador disse numa entrevista que grande parte se havia perdido, incluindo as gravações das crónicas de Fernando Pessa, das quais utilizou a única existente. Mesmo os discursos de Salazar, segundo ele, foram retirados de um site salazarista na internet. Sinal dos tempos?

Que exemplos como este sirvam para lembrar a necessidade da preservação da memória, mesmo de períodos que a alguns parecem ridículos. Principalmente em alturas como hoje, onde perante a falta de um projecto nacional – esteja este certo ou errado –, se navega à vista, sendo por isso ainda mais necessário saber de onde viemos. A bem da Nação... [publicado na secção CineMais da edição desta de «O Diabo»]




FANTASIA LUSITANA
Realização: João Canijo
POR, 2010, 65 min.
Estreia em Portugal: 29 de Abril de 2010.
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QUEM QUER SER SUPER-HERÓI?

Sempre fui um grande apreciador de banda desenhada. Durante a minha adolescência devorava os “comics” norte-americanos e, como qualquer outro miúdo, imaginava o que seria ter super-poderes, ser um super-herói, ou o que aconteceria se essas personagens existissem de facto.

Este filme debruça-se exactamente sobre essa questão, mas não como seria de esperar. Dave Lizewski (Aaron Johnson) é um rapaz como tantos outros que atravessa os dilemas da sua idade, reúne-se com os amigos numa loja de banda desenhada a apreciar os heróis dos quadradinhos e cujo único super-poder, reconhecido pelo próprio, é “ser invisível para as raparigas”. Vivendo num mundo em que o crime violento é habitual, não deixa por isso de se preocupar com os outros e começa a achar que os paladinos do bem não deviam apenas existir nas histórias que lê. Certo dia, chocado pela violência contra as pessoas e principalmente com a falta de solidariedade e auxílio mútuo, decide tornar-se um super-herói.

Encomenda um fato justo e assim que o recebe inicia uma tentativa de treinos pessoais. Desta forma nasce Kick-Ass, um super-herói que não tem poderes, mas está decidido a assegurar uma vida tranquila aos cidadãos por mero sentido de serviço à comunidade. Quando se sente preparado, arrisca saindo à rua armado com dois bastões e tenta evitar um assalto. O pior acontece: é espancado, esfaqueado e atropelado por um carro. Depois de uma intervenção cirúrgica que o recupera e ao descobrir que tem uma sensibilidade nervosa muito menor, o que lhe permite resistir mais à dor, decide que o seu alter ego não morreu.

É finalmente catapultado para o estrelato quando alguém coloca na internet um vídeo de uma das suas intervenções. Ganha a simpatia popular, mas vê-se envolvido no perigoso mundo do crime organizado, acabando por descobrir uma dupla de justiceiros mascarados – pai e filha –, que considera verdadeiros super-heróis.

“Kick-Ass” é uma adaptação ao cinema do “comic” homónimo escrito por Mark Millar e desenhado por John Romita Jr., cuja publicação se iniciou em 2008. Se na BD não foi nada do outro mundo, em filme é ainda pior. Apesar de mais infantil, mantém a ultra-violência excessiva e sangrenta, mas que com certeza será ao gosto do público-alvo. Esta mistura de crianças e adolescentes em fatos carnavalescos com combates mortais que envolvem todo o tipo de armas produz simplesmente um aborrecimento durante grande parte do filme, agravado pela prestação penosa de Nicolas Cage.

Também qualquer mensagem a transmitir – se é que havia alguma – se perde no banho de sangue folclórico e no fogo-de-artifício dos tiros e explosões.

Como se não bastasse, a cena final é um anúncio à sequela. Não, obrigado. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]



O NOVO SUPER-HERÓI
Título original: Kick-Ass
Realização: Matthew Vaughn
Com: Aaron Johnson, Chloe Grace Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Christopher Mintz-Plasse, Elizabeth McGovern
EUA/RU, 2010, 117 min.
Estreia em Portugal: 22 de Abril de 2010.
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O TEMPO QUE RESTA

O conflito israelo-árabe, concretamente a forma como foram submetidos os palestinos, é um assunto quase sempre tratado com grande alarido e exaltação, marcado por convicções extremadas normalmente sem lugar a ironias. Elia Suleiman opta pelo contrário e, no seu registo habitual, projecta a tensão israelo-palestina numa comédia trágica.

“O Tempo que Resta” vem fechar a trilogia palestina iniciada com “Crónica de um Desaparecimento” (1996) e “Intervenção Divina” (2002), com um percurso semi-autobiográfico do realizador, que é também actor e narrador. O filme foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em 2009, sendo premiado no festival argentino de Mar del Plata no mesmo ano, altura em que foi exibido entre nós pela primeira vez no DocLisboa.

A história começa por transportar-nos para 1948, na altura em que as tropas israelitas ocuparam Nazaré. O pai de Suleiman vive aqueles tempos conturbados e, através dele e da sua família, apercebemo-nos da alteração profunda que esta ocupação provocou. A partir desse choque inicial, acompanhamos a vida daqueles árabes israelitas que vivem num mundo dirigido e controlado por judeus até aos nossos dias. Vemos os que não querem resistir e os que resistem passivamente, os que se submetem e os que continuam enfrentar a tensão permanente, tudo através de um mosaico de episódios do dia-a-dia, onde não faltam vizinhos loucos e outras peripécias.

Não vemos grandes batalhas, nem grandes discursos. Aqui reinam os pormenores, as pequenas coisas, as situações caricatas, que mesmo em alturas como esta acontecem. Há planos prolongados, de uma melancolia contemplativa, e os diálogos são poucos, talvez porque o diálogo nesta tensão seja muito difícil.

O estilo de Suleiman recorda facilmente Buster Keaton e Jacques Tati, mas o realizador disse por várias vezes que não o influenciaram, já que não lhes conhecia a obra quando começou a filmar. Seja como for, o humor negro (bem) conseguido pelo absurdo e o burlesco oferecem uma experiência que vale a pena.

E qual será a mensagem deste filme? Tudo parece indicar, até pelo próprio título, que se trata da dúvida sobre o que fazer, ou o que se passará, no tempo que ainda temos. A ser assim, como interpretar a cena no final onde vemos adolescentes vestidos como se pertencessem a um gangue norte-americano, ao som de uma versão “techno” de “Stayin’ Alive”? Talvez o “nonsense” não esteja apenas no filme, mas também cá fora – na realidade.

Elia Suleiman fez um filme pessoal – seu – para todos, mas que não deixa de ser um filme pelos seus. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]



O TEMPO QUE RESTA
Título original: The Time That Remains /Le temps qu’il Reste
Realização: Elia Suleiman
Com: Elia Suleiman, Saleh Bakri, Leila Muammar, Yasmine Haj, Tarek Qubti
França/Bélgica/Itália, 2010, 109 min.
Estreia em Portugal: 15 de Abril de 2010.
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Para hoje



Na conclusão do ciclo “Visões do deserto”, a Cinemateca projecta hoje “A Bandeira”, de 1935, um filme inspirado no romance de Pierre MacOrlan, realizado por Julien Duvivier, com o grande actor francês Jean Gabin no papel do legionário Pierre Gillieth, às 21:30 na Sala Dr. Félix Ribeiro. [Cinemateca Portuguesa: R. Barata Salgueiro, 39, Lisboa; tel. 21 359 62 00; www.cinemateca.pt.]

Bourne em Bagdade

Em 2003 os EUA invadem o Iraque na sua “guerra contra o terrorismo”, justificando esta acção militar com a existência de armas de destruição maciça naquele país e o objectivo de levar a “democracia” e a paz ao povo iraquiano. O resultado é hoje bem conhecido de todos: armas nem vê-las e o caos instala-se.

É neste cenário que decorre a acção de “Green Zone”, que entre nós recebe o nome de “Combate pela Verdade”, onde se conta a história do sargento Roy Miller (Matt Damon) que com a sua unidade de inspectores do exército procura armas de destruição maciça, mas, pelo contrário, descobre um intrincado plano que se propõe revelar.

Este “thriller” explora bem as guerras internas no seio das forças americanas, os seus conflitos de interesses, rivalidades e diferentes objectivos. Neste turbilhão surge um paladino da verdade, o sargento Miller, disposto a desobecer e contrariar regras e ordens para atingir o seu propósito superior. Para além da cena onde Miller é desautorizado e mesmo agredido pelo chefe de uma equipa das forças especiais, há um diálogo que espelha bem tudo isto. O sargento pergunta a um responsável da CIA: “Não estamos todos do mesmo lado?”, ao que ele responde: “É um pouco mais complicado que isso...”

Este diálogo passa-se num ambiente que, longe de um cenário de guerra, mais parece um “resort” de férias. A esplanada junto a uma piscina onde passeiam raparigas em biquini e se pode comer churrasco e beber cerveja gelada não é um exagero. É baseada no relato feito pelo jornalista do Washington Post Rajiv Chandrasekaran, no seu livro de investigação “Imperial Life in the Emerald City”, publicado em 2006, que inspirou este filme.

Perante as acusações de “anti-americano” e “anti-guerra”, Richard “Monty” Gonzales, antigo militar em que se baseia a personagem do sargento Miller e que foi consultor neste filme, lembrou que esta história de conspiração se trata de ficção e que não é um retrato fiel do trabalho da sua equipa no Iraque.

O britânico Paul Greengrass filma com o mesmo estilo movimentado e ritmo ofegante com que fez nos dois filmes da trilogia Bourne que realizou, respectivamente “Supremacia” (2004) e “Ultimato” (2007). Com Matt Damon como protagonista, as semelhanças com essa série são ainda maiores. Mas não, apesar deste ser um bom filme de acção, não é “Bourne no Iraque”, e o seu final moralista e previsível – bem à americana – deixa a desejar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]



COMBATE PELA VERDADE
Título original: Green Zone
Realização: Paul Greengrass
Com: Matt Damon, Greg Kinnear, Amy Ryan, Brendan Gleeson, Jason Isaacs, Yigal Naor, Khalid Abdalla
EUA/GB/FRA/ESP, 2010, 115 min.
Estreia em Portugal: 8 de Abril de 2010.
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Indie Lisboa 2010


Começa hoje o IndieLisboa’10, a 7.ª edição do festival de cinema independente, que se prolongará até dia 2 de Maio com a exibição de 276 filmes, divididos em várias secções, para além de outras actividades. Mais informações em: http://www.indielisboa.com/

Paremos

Quando me apresentam decisões precipitadas, apressadas, impensadas, irresponsáveis, tenho por hábito dizer que é melhor fazer como indicam os sinais das passagens de caminho de ferro: “Pare, Escute, Olhe”. Reflectir para só depois agir. É esse o conselho de Jorge Pelicano num documentário militante que alerta para a morte anunciada da linha férrea do Tua, em risco de ficar submersa devido à construção de uma barragem.

Este jovem realizador, repórter de imagem da SIC, cujo primeiro filme “Ainda há pastores” foi bastante premiado, conseguiu desta vez vencer o prémio do Melhor Documentário Português no DocLisboa 2009 entre outras distinções. Nesse festival, aquando da sua estreia, foi alvo de algumas críticas, nomeadamente por quem o considerou uma reportagem de televisão. Mas este filme – porque é um filme documentário – é um manifesto político em defesa de um património e de uma gente. Para tal não tem pudor (felizmente!) de mostrar os políticos, as suas contradições e de lhes apontar o dedo. Porque estes, movidos pela ganância, estão dispostos a destruir irresponsavelmente uma “identidade”, como afirma a determinada altura um professor universitário espanhol.

Há nesta obra o retrato de uma região esquecida, de um interior deixado para trás. Parte de um país onde a população idosa vê emigrar os mais jovens e verá a sua agricultura submergida pelas águas da barragem. Portugueses que vêem desaparecer o seu povo e a sua terra. Tudo em nome do “progresso”, esse perigoso mito arrasador e uniformizador, cujos efeitos nefastos são muitas vezes irreversíveis.

Que este excelente filme seja um despertar. Que gere uma mobilização, não só pelo Tua, mas por Portugal. Para que, perante as mentiras dos (des)governantes, ou o desejo de cimento afirmado pelo primeiro-ministro José Sócrates no estaleiro de construção da barragem, digamos não! E estejamos dispostos a contrariar a voracidade do lucro e o primado da economia, recordando que são as pessoas e suas vidas que formam uma nação.

São exactamente essas pessoas a quem é dada voz neste trabalho, que tem como tela uma das paisagens mais belas do nosso país. As suas reivindicações provocam tanto a revolta e a indignação, como a melancolia e por vezes até um sorriso.

“Pare, Escute, Olhe” é também um livro, um blogue, um sítio na internet (http://www.pareescuteolhe.com/), um movimento de intervenção cívica. É uma postura diferente do habitual conformismo português.

Paremos para ver este filme. Paremos para depois agir. Paremos para salvar uma identidade. Paremos... [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]



PARE, ESCUTE, OLHE
Realização: Jorge Pelicano
Portugal, 2010, 102 min.
Estreia em Portugal: 8 de Abril de 2010
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Pare, Escute, Olhe

Um filme a não perder. Uma causa a apoiar.

Uma história americana

Os americanos adoram histórias inspiradoras, enternecedoras e bastante cor-de-rosa. De preferência sobre situações fora do comum onde, contra todas as expectativas, tudo corre extraordinariamente bem. Lições de vida prontas a servir de exemplo prático do sonho americano. É isso que é “Um Sonho Possível”. É uma história americana, mais concretamente da América conservadora dos estados do Sul.

Parece outra historieta inverosímil, até mesmo fantasiosa, mas não. O filme é baseado no livro “The Blind Side: Evolution of a Game”, escrito pelo jornalista Michael Lewis, que conta a história real da família Tuohy que adoptou, caridosa e cristãmente, um jovem negro de 16 anos que nunca conheceu o pai e foi retirado muito novo à sua mãe toxicodependente. Apoiando-o nos estudos feitos num colégio privado e iniciando-o no futebol americano, levaram-no a uma bolsa de estudo desportiva universitária que lhe proporcionou a entrada como nova estrela numa equipa da National Football League.

Michael Oher (Quinton Aaron) é um gigante simpático que tem como característica fundamental o instinto protector. Vai enfrentando com dificuldade o mundo tão diferente onde é inserido pelos Tuohy mas, reconhecido pelo seu gesto, descobre neles a sua nova família.

Sandra Bullock representa muito bem neste trabalho que lhe garantiu o almejado Óscar, num papel que veste como se fosse um fato à medida. No entanto, está muito acima dos restantes, fazendo com que o filme gire à sua volta. A sua personagem é uma mulher de força: um verdadeiro tufão no feminino. Republicana, cristã, membro da National Rifle Association e uma das figuras da classe rica de Memphis, Leigh Anne Tuohy é activa, decidida e sem papas na língua. Sempre de resposta pronta, com carregado sotaque sulista, enfrenta “gangsters” negros, professores, “rednecks”, entre outros, na defesa do seu novo menino.

Como não podia deixar de ser, “Um Sonho Possível” foi criticado por alguns como tempo de antena do partido republicano e por outros considerado paternalista por passar a imagem da necessidade da ajuda dos brancos aos negros que, ainda por cima, apenas vingam no desporto. Críticas à parte, este filme mostra-nos uma América sulista onde, longe das leis de segregação e das tensões raciais de outros tempos, continuam a existir dois mundos separados, mesmo apesar da discriminação positiva e políticas afins.

Suscitando alguma curiosidade, não passa de um filme ligeiro, realizado sem qualquer surpresa ou novidade e muito (demasiado) americano. Das tiradas cómicas, há uma que me ficou na cabeça. Quando Sean Tuohy observa o seu novo filho a estudar com a recém-contratada explicadora, diz para a sua mulher: “Quem diria que teríamos um filho negro antes de conhecermos uma democrata?” [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]



UM SONHO POSSÍVEL
Título original: The Blind Side
Realização: John Lee Hancock
Com: Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kathy Bates
EUA, 2009, 129 min.
Estreia em Portugal: 25 de Março de 2010.
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Tintin no país dos piratas


Para os apreciadores do mais famoso repórter do mundo, "Tintin au pays des pirates" é um sítio na internet onde é possível encontrar muitos dos álbuns piratas, pastiches e paródias desta personagem incontornável da banda desenhada franco-belga.

O Regresso de Mel Gibson

Do surpreendente mundo pós-apocalíptico de Mad Max (1979), Mel Gibson deu o salto para o cinema de acção dos anos 80. Experimentou depois com sucesso a realização, nomeadamente com a excelente incursão histórica “Braveheart” (1995) e, mais recentemente, com “A Paixão de Cristo” (2004) e “Apocalypto” (2006), que geraram certa polémica, tal como algumas das suas acções e afirmações. Agora decidiu regressar ao grande ecrã, infelizmente no que parece uma involução.

“Edge of Darkness”, que em português recebe a tradução livre “Fora de Controlo”, é a adaptação ao cinema de uma mini-série televisiva britânica homónima de 1985. Realizada pelo mesmo Martin Campbell, que depois se tornaria mais conhecido por dirigir duas aventuras do famoso agente secreto James Bond, era um “thriller” ecológico em seis episódios que recebeu vários prémios e foi um êxito junto do público.

Em filme a coisa já não funciona tão bem. O ritmo é bom, mas a história perde muito nesta versão. Tudo tresanda a filme ultrapassado com um cenário actual. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]




FORA DE CONTROLO
Título original: Edge of Darkness
Realização: Martin Campbell
Com: Mel Gibson, Ray Winstone, Danny Huston, Bojana Novakovic
EUA, 2010, 117 min.
Estreia em Portugal: 18 de Março de 2010.
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Alice em 3D

Sou um incondicional de Tim Burton, tinha que o dizer. Desde que me maravilhei com “Beetle Juice” (1988), continuei a surpreender-me com “Eduardo Mãos de Tesoura” (1990) e até “Marte Ataca!” (1996), que muitos atacaram na crítica. Sempre genial e inventivo, mais recentemente, depois do deslize do remake de “O Planeta dos Macacos” (2001), voltou aos grandes filmes como “O Grande Peixe” (2003) e “Sweeney Todd” (2007).

Desta vez, espera-nos um “family Burton” contratado pela Disney, num registo que deu os primeiros passos em “Charlie e a Fábrica de Chocolate” (2005). Quer isto dizer, apesar de algumas pitadas, o realizador sai do seu dark característico e se torna mais aceitável. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Título original: Alice in Wonderland
Realização: Tim Burton
Com: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Crispin Glover, Anne Hathaway
EUA, 2010, 108 min.
Estreia em Portugal: 4 de Março de 2010.
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Mensageiros

A guerra não é só o combate no terreno. É também tudo aquilo que a rodeia, a retaguarda e as suas consequências. É por isso que “O Mensageiro”, para além de um drama profundo, é um filme de guerra.

O sargento Will Montgomery (Ben Foster) é um herói condecorado, ferido em combate, que regressa do Iraque para descobrir que o exército americano lhe reserva, para os seus últimos três meses de comissão, uma função que não esperava. Cabe-lhe integrar a equipa que notifica familiares mais próximos dos militares mortos no conflito iraquiano. Acompanha o capitão Tony Stone (Woody Harelson), que lhe transmite as regras e procedimentos desta missão, insistindo na necessidade da distância e frieza, nomeadamente quando insiste que não pode haver contacto físico com os notificados. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]




O MENSAGEIRO
Título original: The Messenger
Realização: Oren Moverman
Com: Woody Harrelson, Ben Foster, Jena Malone, Eamonn Walker, Samantha Morton, Steve Buscemi
EUA, 2009, 105 min.
Estreia em Portugal: 25 de Fevereiro de 2010.
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Alix com o «Público»

O jornal «Público» iniciou hoje a distribuição de mais uma colecção de banda desenhada, em parceria com a ASA. Desta vez trata-se de Alix, de Jacques Martin, último dos representantes da escola de Bruxelas, falecido em Janeiro deste ano. O primeiro volume é "Alix o Intrépido", ao qual se seguirão mais quinze, sempre às quartas-feiras.

A Guerra de Hoje

“Estado de Guerra” não colheu grande adesão do público quando estreou, no ano passado, mesmo apesar do aplauso da crítica. Foram as nomeações para os Óscares, incluindo o de Melhor Filme, que despertaram as atenções para este filme de guerra realizado por Kathryn Bigelow. Foi desde logo apontado como favorito ao lado do sucesso comercial “Avatar”, de James Cameron, curiosamente ex-marido da realizadora. Este duelo entre o campeão de audiências, recheado de efeitos especiais, e o semi-independente, que se debruça sobre a tensão da guerra, acabou por ter um desfecho justo – a vitória de “Estado de Guerra”, que com esta arrebataria seis estatuetas douradas, de entre as nove categorias para as quais havia sido nomeado. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]


ESTADO DE GUERRA
Título original: The Hurt Locker
Realização: Kathryn Bigelow
Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Christian Camargo, Evangeline Lilly
EUA, 2008, 131 min.
Estreia em Portugal: 17 de Setembro de 2009.
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Scorsese Alinhado

Quando penso em Martin Scorsese, ocorrem-me prontamente os magistrais “Taxi Driver” (1976), “Touro Enraivecido” (1980), ou “Tudo Bons Rapazes” (1990). Este realizador fez também filmes menos bons e alguns maus, surpreendendo recentemente com o excelente “The Departed – Entre Inimigos” (2006), que lhe valeu finalmente o óscar injustamente tardio. Mas, foi a pensar nas obras-primas que fui ver “Shutter Island”, com as expectativas bem altas. O resultado foi uma queda e pêras... [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Brum do Canto na Cinemateca


Hoje na Cinemateca, na Sala Luís de Pina, às 22 horas, tempo para ver, em versão restaurada, duas obras de Jorge Brum do Canto, incluídas no programa de cinema português “Primeiras obras, primeiras vezes”: o filme mudo “A Dança dos Paroxismos”, de 1930, seguido de “A Canção da Terra”, de 1938. [Cinemateca Portuguesa: R. Barata Salgueiro, 39, Lisboa; tel. 21 359 62 00; www.cinemateca.pt]

Um deserto

“Homens que Matam Cabras só com o Olhar” podia ser o título de um filme afegão concorrente ao festival de cinema sobre transumância de Tashkent. Se assim fosse, nada havia a estranhar. Tratando-se de uma produção americana é, no mínimo, de desconfiar. Mas o elenco recheado de bons actores pode iludir. Os que caiem na esparrela – como eu –, são martirizados por hora e meia de uma penosa tentativa de comédia. E o pior de tudo é que o humor quando não tem graça é muito triste. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

“O Signo de Rohmer”


Tem início amanhã o ciclo “O Signo de Rohmer”, que a Cinemateca dedica a este realizador, grande mestre do cinema francês, falecido no passado dia 11 de Janeiro, com o filme “Le Signe du Lion”, de 1959, às 21:30 na Sala Dr. Félix Ribeiro. O ciclo prolonga-se, pelo menos, até ao final do mês.

Cinemateca Portuguesa: R. Barata Salgueiro, 39, Lisboa; tel. 21 359 62 00; www.cinemateca.pt]