Os tempos são de crise económica e as empresas americanas optam pelo “downsizing”, eufemismo que trocado por miúdos significa despedimentos em massa por todo o país. Mas, na sua maioria, recorrem a uma empresa especializada para fazer este trabalho sujo. Tal significa que a desgraça alheia equivale a um período de muito trabalho para Ryan Bingham (George Clooney), o consultor que vive nos céus da América, viajando de cidade em cidade para despedir pessoas. Aviões, hotéis, restaurantes, carros alugados, são o que ele pode chamar a sua casa e onde se sente bem. No entanto, a tecnologia vai alterar este equilíbrio. A recém-contratada Natalie Keener (Anna Kendrick) propõe a utilização da internet para reduzir os gastos com as deslocações dos “despedidores”. Está lançada a história de “Nas Nuvens”, realizado por Jason Reitman e nomeado para seis óscares, incluindo o de melhor filme. Aqui se cruza uma comédia romântica “light” com o ambiente desolador de quem perde o emprego. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]
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Os tempos são de crise económica e as empresas americanas optam pelo “downsizing”, eufemismo que trocado por miúdos significa despedimentos em massa por todo o país. Mas, na sua maioria, recorrem a uma empresa especializada para fazer este trabalho sujo. Tal significa que a desgraça alheia equivale a um período de muito trabalho para Ryan Bingham (George Clooney), o consultor que vive nos céus da América, viajando de cidade em cidade para despedir pessoas. Aviões, hotéis, restaurantes, carros alugados, são o que ele pode chamar a sua casa e onde se sente bem. No entanto, a tecnologia vai alterar este equilíbrio. A recém-contratada Natalie Keener (Anna Kendrick) propõe a utilização da internet para reduzir os gastos com as deslocações dos “despedidores”. Está lançada a história de “Nas Nuvens”, realizado por Jason Reitman e nomeado para seis óscares, incluindo o de melhor filme. Aqui se cruza uma comédia romântica “light” com o ambiente desolador de quem perde o emprego. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]
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Fantasporto 2010

Arranca hoje o Fantasporto 2010, a 30.ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto, que decorrerá no Teatro Rivoli até dia 6 de Março. A gala de abertura do festival está marcada para a noite de 26, com a exibição de “Solomon Kane”, de Michael J. Basset, em competição na secção de cinema fantástico, baseado na personagem de um puritano do século XVI que combate o Mal enfrentando forças sobrenaturais, criado pelo escritor Robert E. Howard e cujas aventuras foram publicadas na revista “Weird Tales”. O canal por cabo MOV, patrocinador do Fantasporto, exibe também um ciclo de cinema de terror até à próxima sexta-feira, sempre por volta das 23 horas.
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Cross of Iron
“Cross of Iron” [A Grande Batalha], a excelente incursão de Sam Peckinpah na Segunda Guerra Mundial, passa hoje na Cinemateca às 21:30 horas, na Sala Dr. Félix Ribeiro, e amanhã, às 19:30, na Sala Luís de Pina. Este filme de culto, de 1977, que é o único de guerra feito por este realizador, baseado no romance “The Willing Flesh”, de Willi Heinrich, conta-nos a história do conflito entre um sargento de infantaria Steiner [James Coburn] e o oficial e aristocrata prussiano Capitão Stransky [Maximilian Schell], tendo como pano de fundo a Frente Leste de 1943.
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Estreias
Um Homem Sério, de Ethan Coen e Joel Coen, com Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick, Aaron Wolff.Um Homem Singular, de Tom Ford, com Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena.
Uma Outra Educação, de Lone Scherfig, com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Olivia Williams, Dominic Cooper, Rosamund Pike, Emma Thompson, Cara Seymour, Matthew Beard, Sally Hawkins.
O Lobisomem, de Joe Johnston, com Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Art Malik, Simon Merrells, Mario Marin-Borquez, Asa Butterfield, Cristina Contes, Nicholas Day.
Bobby Cassidy, documentário de Bruno de Almeida, com Bobby Cassidy, Bobby Cassidy Jr., Chris Cassidy, Nick Sandow.
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Anticristo
Ele é Willem Dafoe, ela é Charlotte Gainsbourg. Representam um casal que se recolhe para uma cabana no bosque para tentar ultrapassar a morte do filho, caído da janela de sua casa enquanto ambos se entregavam aos prazeres da carne. Este é o filme, de título nietzschiano, escrito e realizado por Lars Von Trier, lançado no Festival de Cinema de Cannes, no ano passado. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]
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Brum do Canto a dobrar a RTP2

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Metropolis na Berlinale

No 60.º aniversário do Festival de Cinema de Berlim, durante o qual serão exibidos quase 400 filmes, o destaque vai para a exibição, amanhã, de uma versão longa e restaurada do histórico filme Metropolis (1927), de Fritz Lang, depois de em 2008 terem sido descobertas em Buenos Aires cenas do filme que não faziam parte da versão original e que se julgavam perdidas.
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cinema
Estreias
Estreias de hoje:O Meu Amigo Eric, de Ken Loach, com Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop, Gerard Kearns, Stefan Gumbs.
Precious, de Lee Daniels, com Gabourey Sidibe, Mo`Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Sherri Shepherd, Lenny Kravitz,
Dia dos Namorados, de Garry Marshall, com Jessica Alba, Kathy Bates, Jessica Biel, Bradley Cooper, Eric Dane, Patrick Dempsey, Hector Elizondo, Jamie Foxx, Jennifer Garner, Topher Grace, Anne Hathaway, Ashton Kutcher, Queen Latifah, Taylor Lautner, Shirley MacLaine, Emma Roberts, Julia Roberts.
Chovem Almôndegas!, de Phil Lord e Chris Miller, filme de animação com as vozes de (versão original): Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Andy Samberg, Bruce Campbell; (versão dobrada): Manuel Marques, Carla Chambel, João Lagarto, Filipe Duarte, Sofia Sá da Bandeira.
Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo, de Chris Columbus, com Logan Lerman, Brandon T. Jackson, Alexandra Daddario, Jake Abel, Uma Thurman, Pierce Brosnan, Rosario Dawson, Sean Bean, Steve Coogan, Melina Kanakaredes, Catherine Keener, Joe Pantoliano.
À Procura do Homem Ideal, de Richard Loncraine, com Renée Zellweger, Logan Lerman, Kevin Bacon, Troy Garity, David Koechner, J.C. MacKenzie, Chris Noth, Nick Stahl .
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Avatar
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Profecia?
Ainda em exibição está “Um Profeta”, o filme que arrecadou o Grande Prémio do Júri no último Festival de Cannes. Realizado por Jacques Audiard, de quem gostei bastante de “Nos Meus Lábios”, de 2001, transporta-nos para o universo prisional francês, para contar a história de Malik El Djebena, um jovem árabe condenado a uma pena de seis anos. A sua entrada neste mundo desconhecido e duro está longe de ser fácil. Forçado pelo bando dos corsos que domina a prisão para fazer uns “trabalhos”, rapidamente começa a ter os olhos e os ouvidos abertos. É o início de uma aprendizagem que o levará a um lugar de topo nesta hierarquia do crime. [continua na edição desta semana de «O Diabo»]
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A Estrada
Continua em cartaz “A Estrada”, de John Hillcoat, com Viggo Mortensen e o jovem Kodi Smit-McPhee, que protagonizam uma história de amor paterno num mundo pós-apocalíptico, onde à destruição se juntam o canibalismo e a sobrevivência a todo o custo. Baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy, este é um relato sobre os valores que se mantêm de pé quando tudo o resto desaba.
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CineMais n'O Diabo
Uma novidade no semanário «O Diabo» de hoje é a estreia da secção "CineMais", uma coluna da minha autoria, onde escreverei sobre filmes, a partir de agora, fazendo também algumas sugestões para a semana.Neste primeiro texto, decidi falar do filme que mais me marcou no ano passado: Gran Torino. Aqui fica o primeiro parágrafo: "Gran Torino, o grande filme de 2009 é, tecnicamente, de 2008, pois em Dezembro desse ano foi projectado pela primeira vez nos EUA. No entanto, só no ano seguinte se seguiria a estreia noutros países, incluindo o nosso. Clint Eastwood, que tem vindo a tornar-se um realizador de primeira linha – lembremo-nos de filmes como Mystic River, Million Dollar Baby, e os extraordinários Bandeiras dos nossos pais e Cartas de Iwo Jima –, não deixou ninguém indiferente com esta obra-prima, onde foi igualmente o actor principal, que o elevou até ao estatuto de mestre cinematográfico." [continua na edição desta semana de «O Diabo»]
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Tetro
Fui ver o regresso de Coppola e gostei. "Tetro" podia ir mais além, talvez tivesse a possibilidade de se tornar um filme de culto. Todas as questões e muitas das críticas que li podem até ser justificadas, mas não quero deixar de salientar alguns dos aspectos positivos. A lembrar "Rumble Fish", a alternância entre o preto e branco e a cor funciona na perfeição, desta vez em digital. Também a história, apesar de o desenrolar do final não ter o brilhantismo que tem no início, retrata um ambiente em que Coppola está como "peixe na água": um reencontro familiar que esconde um segredo, onde nada corre como esperado. Tudo isto se passa em Buenos Aires, o que só por si constitui outra maisvalia nesta surpresa. Na prestação dos actores, há que lamentar o desempenho q. b. de Vincent Gallo (conseguiria melhor?), e louvar o notável trabalho de Maribel Verdú. Feitas as contas, chega a três estrelas... e meia, se houvesse tal classificação.
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cinema
Pratt inédito

No «Figaro Magazine» vi alguns extractos do álbum póstumo de Hugo Pratt, publicado recentemente em França. Trata-se de uma obra do início dos anos 70 que só foi encontrada em 2007 por um antigo redactor do «Corriere dei Piccoli», onde Pratt trabalhou. Se uma descoberta tardia destas é desde logo fantástica, a história não podia ser melhor, pelo menos para quem, como eu, cresceu no ambiente das aventuras de Emilio Salgari — considerado no artigo do «Figaro Magazine» como o Jules Verne italiano. Sandokan, o Tigre da Malásia, herói da minha infância — dos livros, da série televisiva, dos cromos — passado à nona arte pelo mestre Pratt, ainda por cima com grandes semelhanças com Corto Maltese, é uma surpresa daquelas. Directo para a lista de compras!
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banda desenhada
Este país não é para velhos
Vi o aclamado filme dos irmãos Coen “Este país não é para velhos” com grande satisfação, já que as minhas expectativas estavam bem altas depois de tantas críticas favoráveis e prémios internacionais, incluindo óscares.Passado nos anos 80 no Texas, conta-nos a história de um redneck que encontra uma mala recheada notas no meio do deserto, num local onde houve um tiroteio resultante de um desaguisado no tráfico de droga. O que parece um golpe de sorte para Llewelyn Moss, que vive num trailer park com a mulher, transforma-se numa perseguição que irá jorrar muito sangue, depois de um erro reconhecido a priori pelo próprio.
Num filme intenso, mas nunca acelerado, os realizadores voltam a explorar como ninguém os pormenores do interior da América: os hábitos, os ritmos, os nomes, o sotaque, os erros gramaticais, etc. Tudo características que reconhecemos num mundo que vemos em mudança. A violência desmedida e a ânsia do dinheiro, num país onde sempre tudo foi duro, atingem tais proporções que entram na normalidade.
Este é um enredo onde tudo se cruza, mas onde aqueles que esperamos nunca se encontram. As sequências pré-formatadas de Hollywood não se aplicam aqui. O herói clássico está à beira da reforma e nada pode, o herói ocasional não vence triunfante e o vilão principal, de uma frieza aterradora e ausência de sentimentos, é o único fiel a princípios em quem mais ninguém se revê.
Com uma óptima história – baseada no romance homónimo de Cormac McCarthy –, excelente passagem à tela e excepcionais representações, este é um must see, de que apenas posso dizer que consegue superar “Fargo”.
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cinema
A norma do caos
Há muito de autobiográfico em “O Pintor de Batalhas”. Neste romance que é uma reflexão profunda e intensa, Arturo Pérez-Reverte conta a história de André Faulques, um fotógrafo de guerra que se refugiou numa torre de vigia do século XVIII à beira do Mediterrâneo, onde, solitário, pinta um grande fresco na sua parede. A troca da câmara fotográfica pelos pincéis tem uma razão, que é o mote deste livro: “Se, como defendiam os teóricos da arte, a fotografia recordava à pintura o que esta nunca devia fazer, Faulques tinha a certeza de que o seu trabalho na torre recordava à fotografia o que esta era capaz de sugerir, mas não de conseguir: a vasta visão circular, contínua, do xadrez caótico, regra implacável que governava o acaso perverso — a ambiguidade do que governava o quê não era em absoluto casual — do mundo e da vida. Aquele ponto de vista confirmava o carácter geométrico dessa perversidade, a norma do caos (...)”.Faulques é visitado por um homem que o informa prontamente que o quer matar. Trata-se de Ivo Markovic, fotografado pelo pintor de batalhas durante a guerra da ex-Jugoslávia, que antes de concretizar o seu intento deseja que ele “compreenda algumas coisas”. Inicia-se, assim, uma longa conversa entre ambos. Esta visita inesperada é um regresso do seu passado, fá-lo voltar à guerra e à memória de um amor nunca esquecido, numa verdadeira viagem interior, ao mesmo tempo que fala sobre arte e sobre a sua pintura. Num desses diálogos, sobre pintores considerados mestres, há uma passagem muito interessante, onde Markovic diz: “(...) Picasso também pintou um quadro de guerra. Guernica, chama-se. Embora, na realidade, ninguém diria que é um quadro de guerra. Pelo menos, não como este. Não é verdade?” Ao que Faulques responde, implacável, “Picasso nunca viu uma guerra na vida.”
Para quem já gostava de Pérez-Reverte, como eu, este livro é a melhor confirmação do talento deste escritor espanhol. Para os que ainda o desconhecem é, com certeza, uma descoberta fantástica.
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livros
All the way down

The Wrestler fez correr muita tinta sobre o regresso de Mickey Rourke aos grandes papéis e, especialmente, no paralelo entre a vida de Randy 'The Ram' Robinson, personagem por ele interpretado, e a sua própia. A história de um famoso wrestler dos anos 80 que agora sobrevive num circuito de segunda assentou que nem uma luva a Rourke. Quem melhor para representar uma estrela decadente? A verdade é que ele, debaixo do seu aspecto desfigurado e monstruoso, nos revela o grande actor que muitos pensavam fatalmente perdido. Quando alguém me falava mal de Mickey Rourke recordava-me logo de Rumble Fish, agora vou lembrar-me também de The Wrestler. Outra óptima prestação é a de Marisa Tomei, uma stripper com quem The Ram tenta sem sucesso uma relação séria e cuja profissão, em muitos aspectos, se assemelha à dele.
Sempre agarrado a glórias passadas, este lutador não quer desistir, mas a sua saúde força-o a isso. Ensaia, a partir de aí, uma tentativa de uma vida “normal”, um novo rumo de quem se retirou. Mas nada corre de feição, conseguindo mesmo estragar o reatar de uma relação com a filha, para quem sempre foi um ausente. Perante o descalabro, resta-lhe a que sempre foi a sua vida, o wrestling, e a que sempre foi a sua família, os espectadores.
Darren Aronofsky, que já em Requiem for a Dream demostrara grande talento, realiza optimamente este último combate de uma vida que foi sempre a descer, com um excelente ritmo e planos muito bem conseguidos.
Sempre agarrado a glórias passadas, este lutador não quer desistir, mas a sua saúde força-o a isso. Ensaia, a partir de aí, uma tentativa de uma vida “normal”, um novo rumo de quem se retirou. Mas nada corre de feição, conseguindo mesmo estragar o reatar de uma relação com a filha, para quem sempre foi um ausente. Perante o descalabro, resta-lhe a que sempre foi a sua vida, o wrestling, e a que sempre foi a sua família, os espectadores.
Darren Aronofsky, que já em Requiem for a Dream demostrara grande talento, realiza optimamente este último combate de uma vida que foi sempre a descer, com um excelente ritmo e planos muito bem conseguidos.
Li algures que este filme tinha um “final americano”. Não sei que outro final poderia ter um filme passado no mundo do wrestling. Seja como for, não podia acabar melhor.
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cinema
Se não fosse o monstro...
Fui ver o filme Cloverfield, porque a minha mulher é grande fã das produções de J. J. Abrams, e devo dizer que o melhor foi mesmo a ida ao cinema juntos, que nos lembra sempre outros anos em que havia tempo para tudo.
Não gosto de cocktails, tenho sempre a sensação que tanta mistura serve para esconder algo, quanto mais não seja a falta de jeito ou inspiração. Este filme é exactamente isso. Um exercício de colagem que podia definir-se como um “Blair Witch Project/9-11”, com um cheirinho a Lost e umas salpicadelas de Escape from New York, Starship Troopers, Godzilla e King Kong, onde se desenrola uma tentativa de história de amor.
A favor do filme há, sem dúvida, o monstro. Se bem que eu, como apreciador incondicional de filmes clássicos com mostros, incluindo os Godzilla e Gamera série B, sou suspeito. Mas devo dizer que quando ouvi o som emitido pela criatura, perante as semelhanças com a “nuvem de mosquitos” que passa por monstro na série Lost, temi o pior. Felizmente o destruidor de Nova Iorque no filme está bem conseguido nas cenas monumentais, o que já não se pode dizer nos grandes planos. Bom está também o final, apesar de expectável, e serão com certeza interessantes as mensagens ocultas, para quem aprecie. Foi o caso do meu amigo Miguel Vaz, que me perguntou: Não gostaste? Nem por isso... Acho que merece no máximo duas estrelas (daquelas que se dão nos jornais) porque um filme onde um monstro gigante destrói uma cidade é sempre divertido.
Não gosto de cocktails, tenho sempre a sensação que tanta mistura serve para esconder algo, quanto mais não seja a falta de jeito ou inspiração. Este filme é exactamente isso. Um exercício de colagem que podia definir-se como um “Blair Witch Project/9-11”, com um cheirinho a Lost e umas salpicadelas de Escape from New York, Starship Troopers, Godzilla e King Kong, onde se desenrola uma tentativa de história de amor.
A favor do filme há, sem dúvida, o monstro. Se bem que eu, como apreciador incondicional de filmes clássicos com mostros, incluindo os Godzilla e Gamera série B, sou suspeito. Mas devo dizer que quando ouvi o som emitido pela criatura, perante as semelhanças com a “nuvem de mosquitos” que passa por monstro na série Lost, temi o pior. Felizmente o destruidor de Nova Iorque no filme está bem conseguido nas cenas monumentais, o que já não se pode dizer nos grandes planos. Bom está também o final, apesar de expectável, e serão com certeza interessantes as mensagens ocultas, para quem aprecie. Foi o caso do meu amigo Miguel Vaz, que me perguntou: Não gostaste? Nem por isso... Acho que merece no máximo duas estrelas (daquelas que se dão nos jornais) porque um filme onde um monstro gigante destrói uma cidade é sempre divertido.
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The Man in the High Castle
De Philip K. Dick, mestre da ficção científica, não posso deixar de fazer uma referência obrigatória ao excelente “The Man in de the High Castle”. Nesta incursão pelo universo da história alternativa, PKD apresenta-nos um mundo onde o Eixo ganhou a II Guerra Mundial e os EUA estão, por isso, ocupados na costa leste pelos alemães e na costa oeste pelos japoneses. No centro, os Rocky Mountain States são autónomos e é aí que vive o autor do muito popular e lido, apesar de censurado nas zonas ocupadas: “The Grasshopper Lies Heavy”. Este “livro-dentro-do-livro” conta uma versão diferente da História, na qual os Aliados ganharam a guerra. Mas as surpresas desta obra de Dick não ficam por aqui, quando nada é o que parece, é a própria realidade que fica em causa…
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Tropa de Elite
“Tropa de Elite”, de José Padilha, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mesmo depois de uma campanha que o classificava como “fascista”, o júri decidiu reconhecer o excelente trabalho do realizador brasileiro.Vi este filme polémico da mesma forma que milhões de brasileiros — através de uma cópia pirata. Vi e tornei a ver, porque não é todos os dias que aparecem coisas destas. O que era para ser um documentário sobre o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, conhecido por BOPE, tornou-se uma obra de ficção perante a ausência de militares dispostos a prestar o seu depoimento. O resultado foi um controverso sucesso, agora justamente premiado.
A acção desenrola-se naquela que é — como se afirma claramente —, a guerra que se vive no Rio de Janeiro. Na qual, para fazer frente aos traficantes das favelas, bem armados graças à corrupção generalizada, só um corpo de elite, constituído por militares incorruptíveis, alvo de uma selecção criteriosa e formação exigentíssima, consegue levar a melhor. O BOPE não é para brincadeiras e os seus inimigos também não. Defrontam-se num dos mais complicados teatros de combate urbano — os labirínticos morros. A preparação dos militares, a sua coragem e determinação garantem que sejam os melhores. Não hesitam em ser brutais e usar formas de tortura naquele inferno, porque guerra… é guerra.
Mas apesar das espectaculares cenas de acção, realísticas e muito bem ritmadas, que alguns criticaram como americanizadas, “Tropa de Elite” não se resume a um “filme de bang-bang”, como se diz no Brasil. É um retrato social de um país, que mostra as intrincadas redes de corrupção que se estendem a praticamente todos os aspectos do quotidiano e a existência de uma classe abastada que vive num mundo à parte, diametralmente oposto, mas no qual muitos, enquanto fumam maconha, sonham em salvar os “pobres e oprimidos”, que apenas traficam porque são excluídos da sociedade… Onde é que já ouvimos esta conversa antes? A realidade mostrada no filme arrasa totalmente tais posições utópicas e mostra o seu efeito perverso, porque como nos diz o narrador a determinada altura: “não há nada pior que rico com consciência social”.
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