Este país não é para velhos

Vi o aclamado filme dos irmãos Coen “Este país não é para velhos” com grande satisfação, já que as minhas expectativas estavam bem altas depois de tantas críticas favoráveis e prémios internacionais, incluindo óscares.

Passado nos anos 80 no Texas, conta-nos a história de um redneck que encontra uma mala recheada notas no meio do deserto, num local onde houve um tiroteio resultante de um desaguisado no tráfico de droga. O que parece um golpe de sorte para Llewelyn Moss, que vive num trailer park com a mulher, transforma-se numa perseguição que irá jorrar muito sangue, depois de um erro reconhecido a priori pelo próprio.

Num filme intenso, mas nunca acelerado, os realizadores voltam a explorar como ninguém os pormenores do interior da América: os hábitos, os ritmos, os nomes, o sotaque, os erros gramaticais, etc. Tudo características que reconhecemos num mundo que vemos em mudança. A violência desmedida e a ânsia do dinheiro, num país onde sempre tudo foi duro, atingem tais proporções que entram na normalidade.

Este é um enredo onde tudo se cruza, mas onde aqueles que esperamos nunca se encontram. As sequências pré-formatadas de Hollywood não se aplicam aqui. O herói clássico está à beira da reforma e nada pode, o herói ocasional não vence triunfante e o vilão principal, de uma frieza aterradora e ausência de sentimentos, é o único fiel a princípios em quem mais ninguém se revê.

Com uma óptima históriabaseada no romance homónimo de Cormac McCarthy, excelente passagem à tela e excepcionais representações, este é um must see, de que apenas posso dizer que consegue superar “Fargo”.

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